A história recente da democracia brasileira é protagonizada por pessoas que pensam de forma semelhante, mas se afastaram e radicalizaram suas posições.
PT e PSDB em tese têm muitas semelhanças. O PT tem uma trajetória de falar pelo operariado organizado, pelo funcionalismo público, pela intelectualidade, pelos movimentos sociais e pela Igreja Católica. Isso lhe conferiu ao longo dos anos uma forte inserção social, a ponto de fazer dele o primeiro e único partido brasileiro verdadeiramente de massas. Se essa característica se mantém ainda hoje é questionável, mas inegável que até uma década esse organicidade era real. Já o PSDB surge mais próximo da classe média e não é menos verdade que, em grande medida, rivalizou com o PT por falar em seu nome até meados dos anos 90. Depois disso passou a adotar o um discurso alinhado a uma burguesia financista que, a meu ver de boa-fé, proclamava a tese de um estado mínimo, economicamente liberal e, por isso, privatista. Em certa medida, essa visão contradizia, inclusive, as formulações teóricas da socialdemocracia que deram origem ao partido. O relevante é que, salvo algumas exceções, de um lado e de outro, ambos os partidos são compostos por uma maioria de gente respeitável e honesta.
As eleições deste ano são particularmente importantes para o Brasil: ambos os grupos já governaram o país e decidir por um ou por outro significa não só exercer o direito democrático de voto e, dessa forma alternar governos, mas principalmente determinar em que direção iremos. Porque desde a redemocratização até a chegada de Lula à presidência, o Brasil nunca havia experimentado uma renovação considerável na direção do poder. Não que durante esses oito anos não se note ainda a presença de alguns desses grupos antigos no interior do governo. E é de se ressaltar que esse processo de renovação, assim como tantos outros, teve início no governo tucano. Entretanto, é no período petista em que se consolida a experiência mais democrática que tivemos até hoje. Democrática no sentido de grupos sociais novos e populares a ocupar o poder. Por isso, não podemos decidir apenas com base no argumento de que é necessário renovar o governo, de que isso faz bem para a democracia e de que já não importa tanto quem ganhe porque no fundo as políticas de um e de outro serão muito parecidas.
Não penso assim. E digo isso por algumas razões. Em primeiro lugar, acredito que, ganhe quem ganhar, a democracia brasileira já está consolidada e sairá ainda mais forte do processo. No entanto, para chegar a uma conclusão sobre a quem apoiar é necessário fazer uma comparação entre as experiências de um partido e de outro na condução do governo federal. Mas, para concluir de modo honesto intelectualmente, acho que é preciso analisar também as experiências dos atuais candidatos em suas oportunidades como gestores públicos.
Primeiro, portanto, vamos à comparação entre o período Lula e FHC. É claro que há uma série de números de lado a lado que colocam um ou outro em posição de destaque, a depender da área. No entanto, por mais que busque conhecer com muita boa vontade os dados do período tucano, e o faço constantemente, quanto mais os comparo com os índices do governo petista, pelo menos nas áreas que considero essenciais, os números do segundo são impressionantemente mais robustos.
É certo que quando encerra seu primeiro mandato, FHC detém altos índices de aprovação, justamente em função de algumas políticas sociais e da melhoria que se observou em uma série de indicadores sociais decorrente da estabilização econômica, como a diminuição do desemprego. No mais, debelar a inflação e sair de um sistema nacional de educação praticamente inexistente, com contingentes inaceitáveis de crianças fora da escola, e conseguir levar 95% para sala de aula não deve ter sido tarefa fácil.
Porém, quando observo o eixo ideológico que guiou as principais políticas do governo FHC e o efeito que delas decorreu, não posso avaliar como um caso de sucesso a experiência completa. Ou seja, o cenário econômico e social deixado ao final de 2002 não era nada animador, tanto que naquela época o governo do presidente FHC não alcançava mais de 30% de aprovação. Naquele ano a campanha de Serra buscou desassociar o discurso do candidato da imagem do governo, dizendo que não em um eventual governo do candidato tucano, não haveria continuísmo em relação ao governo FHC, mas mudança.
Ocorre que os oito anos do governo de Fernando Henrique foram pautados pela concepção ideológica de estado mínimo, que levou o país ao processo de privatização. Seus defensores justificavam a estratégia, entre outras razões, por dois motivos principais: a necessidade de levantar recursos para sanear as finanças do governo, em especial a dívida pública, e em segundo lugar, levar eficiência aos serviços que eram prestados pelas empresas públicas. Pois bem, os problemas de caixa do governo não foram reduzidos, e a eficiência passou a ocorrer apenas em alguns setores.
Ressalte-se que muito dinheiro foi investido naquelas empresas antes de vendê-las, para que se tornassem atraentes para os possíveis compradores e, no entanto, uma série de estudos posteriores comprovou que os valores pelos quais boa parte delas foi arrematada era muito inferior ao que se praticava internacionalmente. Denúncias de corrupção surgiram, e mesmo após escutas telefônicas muito comprometedoras terem sido publicadas na imprensa, não foi iniciada investigação. Outros escândalos surgiram e também foram totalmente abafados, como o caso da emenda da reeleição.
Inclusive, para garanti-la, não sei quem se lembrará, o governo manteve o câmbio artificialmente valorizado. Ou seja, não importava o que acontecesse, o dólar não poderia valer menos do que tantos reais. Uma coisa que hoje nos parece absurda, mas que fez com que se preservasse o apoio da classe média e reelegeu o presidente. Pouco tempo depois o país quase quebrou, e mais uma vez, teve de pedir empréstimo ao FMI, quem de fato desde muito tempo era quem de fato ditava detalhadamente nossa política econômica. O dólar disparou e durante quase todo o segundo mandato nossa balança comercial ficou deficitária. Ou seja, importávamos muito mais de outros países do que vendíamos para o resto do mundo. Como não havia mercado interno com poder aquisitivo considerável entre as camadas populares e como a própria classe média perdeu muito de seu poder de compra, o setor produtivo passou anos muito difíceis.
Em termos de indicadores sociais, à parte uma admirável tentativa de iniciar um conjunto de políticas públicas assistenciais, no primeiro mandato vimos a desigualdade dar sinais de que poderia diminuir devido à estabilização monetária, mas logo depois a distância entre ricos e pobres voltou ao abismo que tanto nos envergonha e, se não se alargou, aí permaneceu. Tivemos oito meses de racionamento de energia. Vimos o desemprego explodir e o salário mínimo chegar a patamares ridículos, imorais. Epidemias medievais voltaram às grandes cidades brasileiras. A inflação subiu e quase voltou forte.
Em 2002, finalmente Lula chega ao poder e, também aliado a uma parte dos grupos tradicionais da política brasileira, adota em um primeiro momento uma política econômica idêntica à do governo anterior, ganha confiança internacional e espaço para dar início à concretização de algumas mudanças, que não justificam o comentário usual de que apenas se continuou a política econômica anterior.
Depois de um início semelhante, o governo passa a uma gradual redução dos juros e ao mesmo tempo em que inicia uma agressiva política de aumento do poder de compra do salário mínimo, aumenta a economia feita pelo o governo para amortizar sua dívida e passa a ampliar maciçamente o crédito à população por meio dos bancos estatais. Dá início a um extenso calendário de viagens internacionais para países inusitados e às quais se seguem grandes comitivas de empresários. Assim consegue diversificar nossos mercados e, encontrando uma conjuntura externa favorável, o país passa a bater seguidos recordes de exportação. Nosso principal parceiro comercial é a Argentina e não mais os EUA. A economia volta a crescer e o desemprego começa a diminuir. A dívida com o FMI é paga e consegue-se autonomia de planejamento econômico. Empresas públicas sucateadas são restauradas e passam a funcionar de modo eficiente até para os padrões da iniciativa privada. A Petrobrás é o exemplo que nos levou à auto-suficiência em petróleo.
Paralelamente, investe-se muito em políticas de transferência de renda e aumenta-se o poder de compra da população. Vemos uma gigantesca incorporação de grandes contingentes do povo ao mercado de consumo. Dezenas de milhões saem da pobreza absoluta e outras dezenas de milhões ingressam nesse mercado. Vejo com muito espanto gente que já viveu fora do país, na Europa ou na América do Norte, onde o governo também dá dinheiro para as pessoas, dizerem que aqui a mesma política é assistencialismo.
Os níveis de emprego batem seguidos recordes. Em termos de educação, a atuação do governo foi aquém de minhas expectativas, mas não se pode deixar de salientar que mais de uma dezena de universidades federais foram criadas nas regiões mais carentes de conhecimento e que milhões de jovens pobres ingressam no ensino universitário por meio de programas de financiamento estudantil. Depois de 20 anos o Estado voltou a investir em infra-estrutura e, pela primeira vez na história, a desigualdade social começou a cair. No plano internacional, uma política externa ousada passa a colocar o Brasil no tabuleiro das grandes decisões mundiais. É com espanto que vejo a brutal diferença entre o tratamento que o governo e o presidente recebem da mídia nacional e da mídia estrangeira. Enquanto aqui os ataques são a regra, lá os elogios rasgados são cada vez mais freqüentes. Não me parece que os jornalistas estrangeiros leiam nossas publicações.
Outro aspecto que diferencia bastante esse governo, e que para mim é especialmente importante, tem a ver com participação e controle social. Pela primeira vez, nota-se em nível federal uma disposição para o que as administrações petistas já ensaiavam em alguns estados e municípios, com iniciativas como o orçamento participativo, e que diz respeito a criar mecanismos e instâncias para promover controle social e a participação democrática. Posso afirmar com segurança que nos últimos anos governo federal deu um grande salto de qualidade no que diz respeito à implementação de mecanismos de prevenção e combate à corrupção. Evidente que não é suficiente e claro que não é o ideal. Mas o trabalho feito, por exemplo, pela Controladoria Geral da União, órgão ligado à Presidência da República e que serve como a agência anticorrupção brasileira, é muito sério. Mesmo antes de que houvesse leis que o obrigasse, de modo pró ativo o governo passou a disponibilizar uma série de informações sobre receitas, despesas, contratações etc. O caso do Portal da Transparência, que proporcionou inclusive que se descobrissem os desvios que depois foram chamados de escândalo dos cartões coorporativos, é um exemplo. Há outros instrumentos disponíveis no site da CGU.
A criação das conferências nacionais sobre os mais diversos temas e de uma série de conselhos são outros exemplos de incentivo à participação. O atual projeto de lei que regulamenta o acesso à informação pública é uma iniciativa do governo. A própria reestruturação da Polícia Federal, com ressalvas, pode ser compreendida como uma tentativa de dar início a um processo de combate a corrupção. Enfim, a questão que se coloca é a disposição de implementar esse tipo de ação. Sabemos que ainda não funcionam como deveriam, mas se existem, podem ser aperfeiçoadas.
De outro lado, não se nota essa mesma disposição por parte dos tucanos. Não há no governo de São Paulo, onde o PSDB governa há quase duas décadas, nenhuma iniciativa nesse sentido. Não estou dizendo que o governo atual seja menos corrupto que os anteriores, nem que o seja mais.
Porque, evidentemente, corrupção é um fenômeno do qual só se tem notícia quando é descoberto. Até que se descubra, é como se nada existisse. Por isso, a melhor forma de combatê-la é preveni-la. O fato é que quanto mais mecanismo de prevenção, controle social e transparência houver, menores são os riscos de desvio de dinheiro público.
Enfim, feita a comparação entre as experiências tucana e petista no comando do país, vamos à análise dos atuais candidatos como gestores e figuras públicas.
De um lado, o candidato do PSDB é um homem com muita experiência política. Ocupou praticamente todos os cargos existentes nos poderes legislativo e executivo. No entanto, como se trata de uma disputa por um cargo executivo, concentrarei minha análise em suas experiências mais recentes nessas funções, quais sejam de prefeito da cidade e de governador de São Paulo.
Como prefeito, assumiu logo após perder as eleições presidenciais de 2002. Muitos receavam que sua candidatura à época apenas serviria como trampolim para um projeto maior. Afinal, soava mesmo estranho um candidato que acabara de disputar a Presidência, logo depois buscar uma prefeitura. Mas, questionado, Serra chegou a garantir com documento registrado em cartório sua permanência até o final do mandato.
Dois anos depois, porém, sem titubear, renunciou para concorrer ao governo do estado. Até ali, seu governo era muito bem avaliado pela população paulistana. Em seu lugar, deixou seu vice, sobre quem as recentes pesquisas dão sinais reiterados de que os paulistanos arrependem-se de terem reeleito.
E agora, depois de um processo partidário intensa disputa entre o governador Serra e o governador Aécio, o PSDB finalmente optou pelo primeiro. Observando a trajetória política do candidato, em especial esses últimos anos, e tomando suas próprias declarações, não há como deixar de notar que ocupar a Presidência parece ser para ele o propósito de sua vida.
Outro aspecto do candidato Serra que a mim me parece pouco recomendável a alguém que deseja ser presidente tem a ver com o que noticiou a Folha de São Paulo há poucas semanas. A matéria dava conta de que a maioria dos sindicatos tradicionalmente ligados ao PSDB cogitavam apoio ao candidato do partido ao governo do estado, Geraldo Alckmin e à candidata do PT à Presidência. Isso porque, segundo eles, Serra é um homem pouco aberto ao diálogo, alguém com quem os representantes das organizações sociais têm pouquíssimo acesso.
Com relação aos resultados de sua administração como governador, em geral houve avanços notáveis. Em algumas áreas como transporte público e educação profissionalizante foram mais expressivos. No entanto, não se promoveram grandes alterações em relação ao modelo de gestão que orienta o estado há quase duas décadas. E durante todos esses anos, pouco avanço houve em áreas muito essenciais para o progresso humano de um país.
Ou seja, saúde e educação continuam a ser um problema gravíssimo no estado. Não me parece aceitável que o estado mais rico da federação tenha um dos corpos docentes pior remunerados do país; ou que os estudantes da rede pública sejam sempre dos piores colocados nas avaliações nacionais e ensino. Vinte anos é tempo mais que suficiente para fazer uma revolução, pelo menos, na educação e na saúde de um estado. Matéria recente da Folha de São Paulo noticiava que os programas estaduais de assistência social e transferência de renda foram fortemente encolhidos durante a gestão Serra.
De outro lado, a candidata do PT não tem nenhuma experiência eleitoral, mas tem uma intensa vivência como gestora pública. É de se notar que essa inexperiência eleitoral de Dilma já começa a ser usada contra ela. No entanto, os que o fazem esquecem que o próprio presidente Fernando Henrique, assim como o presidente Lula, disputou pouquíssimas eleições antes de ocupar o mandato da nação. Assim como FHC em 1994, Dilma é uma ex-ministra de um governo muito bem avaliado e que se lança à tentativa de dar continuidade a um projeto de governo.
Assim como Serra, ela tem experiência como gestora nos três níveis de governo: municipal, na prefeitura de Porto Alegre, estadual, no governo do RS e federal, primeiro como coordenadora da equipe de transição entre os governos FHC e Lula, depois como ministra de Minas e Energia e, finalmente, como ministra chefe da Casa Civil. Nessa função, foi responsável por toda a coordenação do governo, pela articulação dos trabalhos de todos os ministérios. Se é continuidade que se busca, mais do que qualquer outro membro do governo, o titular da Casa Civil é quem pode garanti-la.
Mas, ao contrário de Serra, Dilma não parece ter um projeto pessoal de poder, o que me parece um ponto a favor dela. Ou seja, Dilma tem um perfil técnico, é reconhecidamente uma gestora eficiente. Seguramente, até um ano e meio ou dois não pensava que um dia poderia ser presidente da República. De qualquer forma, o está em jogo é a permanência de um projeto de nação fortemente bem avaliado pela população. Tão bem avaliado que até mesmo Serra está se esforçando para aproximar-se de Lula e assumir parte do discurso continuista. Como em geral também avalio positivamente essa experiência e como prefiro sempre o original ao remendado, de momento, não vejo porque não dizer Dilma na hora voto.
domingo, 23 de maio de 2010
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Cara, primeiro de tudo parabéns pela iniciativa do blog. Sobre o texto, concordo totalmente com a sua análise inicial, também acho muito simplista e fraco esse argumento de que são políticas parecidas ou que é mais saudável para a democracia trocar o governo. Essas eleições serão muito decisivas, rumos diferentes podem ser traçados e não está nada fácil escolher um candidato. Entrando nos candidatos, gosto de tudo que você falou sobre o governo do Lula, e as vezes fico muito inclinado a votar na Dilma. Mas o que pega pra mim é o lance da corrupção, e na boa, acho que foi bem conveniente pra sua opinião não citar o mensalão na sua análise. Ok, sei que há corrupção no PSDB também, mas ainda não conseguiram me convencer que chega perto da corrupção instalada no período Lula. Saiu uma matéria grande sobre o mensalão no Valor Econômico da última sexta-feira. Vale a pena ler sem preconceitos, tá bem escrita e tem muitas histórias dos bastidores, como as principais figuras se posicionaram diante daquilo, a participação dos ministros nas decisões, do Lula, do FHC, bem interessante. Na real, ainda não estou certo do meu voto, pretendo pesquisar muito até as eleições. Mas por enquanto estou na Marina e segundo turno provavelmente Serra. Quem sabe você me convence do contrário. Boa sorte na empreitada blogueira...dá trabalho. Vou frequentar! Abraço
ResponderExcluirE aeee ISSA!!
ResponderExcluirBelíssimo texto!!
Falta uma analise dessas em relação a Marina, não?
Foi bom ler o seu texto, mas ainda assim não formo minha opinião sobre qual o candidato ideal para as eleições.
Veremos...
abs!!
Caro Issa, parabéns pelo texto. Bem escrito.
ResponderExcluirTendencioso, mas pelo menos você se posicionou. Pena que a favor da Dilma.
Apesar de você falar que o Serra tem um projeto pessoal, creio que é melhor que a Dilma que não tem mesmo um projeto pessoal, uma vez que o projeto é do Lula, ou seja, ela é apenas uma marionete, agora com gariba feita pelos marketeiros.
Uma pena não termos ainda para escolher nenhum líder inspirador que una as ideologias em torno de um projeto de país e visão de futuro.
Abraços e sucesso no blog.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirCaro Fernando, obrigado pela atenção. De fato, PELO MENOS me posicionei. Quanto a ser "tendencioso", desculpe-me, mas prefiro a sinceridade de tomar um lado à hipocrisia da "imparcialidade" que frequentemente povoa os grandes veículos da mídia nacional. Bom, sobre as diferenças que você enumera em relação aos candidatos, estou de acordo. A Dilma realmente não tem um projeto pessoal. O projeto efetivamente não é dela, como disse. E nem do Lula. É um projeto muito mais amplo. Uma conquista da sociedade brasileira. E que, como disse, começa lá com FHC e a estabilização da moeda e a consolidação da democracia. Agora, nos últimos oito anos, consolidou-se e iniciou-se a implementação de um projeto construído dentro do PT, com uma enorme contribuição de uma série de setores da sociedade civil e, inclusive, de partidos de um variado espectro ideológico. E que, diga-se de passagem, tem sido muito bem avaliado pela população. E, por favor, ela não é uma marionete. Tem história, é reconhecida por seus méritos de gestora. Foi a primeira mulher a ocupar a Casa Civil e coordenou os principais projetos desse governo, recordista de popularidade e de realizações para mostrar. Marionete quem criou foi o Serra. Hoje a marionete está na prefeitura de SP. Olha, meu caro, quem parece não ter projeto de nação, que parece estar com o discurso completamente esvaziado é o Serra, o PSDB e o seu DEM. O que propõem? Qual o projeto? Se não fosse assim, por que o esforço de tentar garantir ao eleitor o continuismo? Um abraço.
ResponderExcluirOpa, agora o debate começa a ficar interessante...
ResponderExcluirDe fato, a democracia (no sentido de "inclusão") promovida pelo Lula e a aprovação do povo proveniente disso são admiráveis. Colocam o continuismo no ponto central da discussão e isso será muito bom para as eleições. Acho que nunca estive tão ansioso pra ver os debates!
Digo e Pablo, finalmente consegui um tempo para responder a vocês. Primeiro, obrigado pelos comentários! Mesmo. Agora, Digo, com relação à sua primeira ressalva, sobre corrupção, acho que não tenho muito que acrescentar ao que disse antes. Ou seja, eu estou convencido de que a melhor forma de combater a corrupção é a prevenção, vale dizer, criar mecanismos de transparência pública. E nesse quesito, meu caro, posso estar mal informado, mas lido diariamente com isso e não vi nenhuma iniciativa do PSDB até hoje, seja enquanto ocupou o governo federal, seja por parte do Serra aqui em SP. É isso que mais pega pra mim. Porque acho que não dá pra decidir o voto com base no critério de quem roubou mais ou menos. Até porque, como disse, não dá pra saber. A gente só fica sabendo se vem à tona. E se o partido que governa tem maioria no parlamento, fica bem fácil impedir que se apurem eventuais denúncias. E, como coloquei no texto, era mais ou menos isso que acontecia durante o governo FHC. Vale lembrar também que aquele governo tinha como principal parceiro o mais tradicional e conservador grupo político brasileiro, o qual desde muitas décadas vinha ocupando o poder. Mudou muitas vezes de nome, como ocorreu recentemente, mas é desde sempre o mesmo partido. Acredito que esse dado nos permite inferir que se foi construída no Brasil uma cultura de corrupção e impunidade, muito se deve a essa corrente política que até hoje se mantém como principal parceira dos tucanos. Confesso que não quis aprofundar essa questão, mas não porque me fosse conveniente, mas mais porque considero que não dá, pelos motivos que expus, para fazer nenhum ranking de comparação sobre corrupção entre governos, sejam quais forem. O que dá é para comparar se um governo é mais ou menos transparente em relação a outro. E nesse caso, esse governo ganha a comparação. Por isso, não citei o mensalão, assim como não citei suas origens no PSDB mineiro ou as sucessivas denúncias de corrupção engavetadas na Assembleia Legislativa de São Paulo durante os últimos 17 anos, como os casos Nossa Caixa, Alston etc. Tenho uma avaliação meio heterodoxa do mensalão. Mas isso merece um artigo inteiro. Pretendo escrevê-lo em breve. Entretanto, queria só já pontuar uma diferença em relação às posturas adotadas após a divulgação das denúncias. No caso do mensalão, a própria Polícia Federal, subordinada ao Ministério da Justiça, foi quem tocou as investigações e instruiu boa parte do processo que está rolando no STF. Nos outros casos, as denúncias foram arquivadas. Bom, era isso. Pablera, sobre a Marina, também quero escrever sobre sua candidatura logo. Mas adianto que a respeito e admiro profundamente, assim como respeito muito o voto que lhe dão. Abraços aos dois, Issa.
ResponderExcluirMuito bom!! olhando estas discussões, me parece muito interessante fazer um resumo comparativo entre os dois mandatos de FHC e os dois mandatos de Lula para visualizarmos os seguintes quesitos: dentro das esferas de economia, educação, meio ambiente, desenvolvimento e política externa quais foram os pontos fortes e fracos de cada governo. O que foi dado continuidade e o que foi inovado. Quais foram os projetos. Muito se fala que no Governo Lula se fez muito, mas o que as pessoas lembram é que se tratou de um governo apenas social, o que discordo. Além disso, falta a percepção de que uma ação ou projeto de governo não se trata apenas deste governo, mas de fazer a coisa certa na direção certa. Pouco me importa de quem veio o projeto ou quem o implementou. O propósito da política é articular estes desenvolvimentos e não atrelar a discussão se o projeto é de FHC ou Lula.
ResponderExcluirO texto é bom, mas parcial demais para uma comparação justa e esclarecedora. Se faz pouquíssimo uso do fato de que o governo FHC iniciou os processos de consolidação que permitem existir hoje números tão robustos, não se fala que logo após a estabilização do país houve por anos seguidos crises mundiais (97 tigres asiáticos, 98 Rússia e 99 moratória argentina) que impactaram o segundo mandato e a economia mundial como um todo, que andava muito magra, diferentemente do período do governo atual. Não se fala que FHC iniciou um novo momento na diplomacia brasileira, mas era super criticado pelo PT por suas viagens internacionais para iniciar parcerias em comércio e outras áreas. Não se fala que o PT apenas buscou expandir (e em alguns casos aprimorar) o que na realidade foi criado anteriormente.
ResponderExcluirO real ponto positivo do PT vendo o que foi escrito é a abertura para o diálogo - levando em confiança o que você cita no texto -, pois isso tem impacto e é muito importante. Afora isso, achei o conteúdo por sua parcialidade muito pouco elucidativo.
Oras, se é natural colocar o Ministro da Casa Civil candidato, chamemos o Dirceu, não seria um fiel representante?
Dani, evidente que é parcial. Tenho uma posiçao e o texto serviu para expor as razoes que me levam a ela. Agora, provavelmente trata-se de ignorancia minha, mas a quais processos de consolidaçao e propulsao do atual desenvolvimento iniciados por FHC, alem dos que menciono no texto, voce se refere? Com relaçao as crises dos anos 90, nao as mencionei, assim como nao o fiz com respeito a mais recente e maior de todas elas. De novo, bem possivel que se trate de uma profunda ignorancia minha, mas nao me lembro de medidas eficazes tomadas pelo governo tucano para estacar os efeitos das crises que voce mencionou. Ao contrario, lembro-me de que nesses periodos instalou-se verdadeira danca das cadeiras e sucessivos presidentes do BC batiam cabeca para implementar diferentes modelos de cambio. Ate a opcao pelo cambio flutuante, todas as outras tentativas se mostraram ineficazes. O merito, se é que existe, foi chegar a essa conclusao apos um processo de tentativa e erro. E o merito maior do governo petista talvez tenha sido justamente manter essa relacao, o que nao significa que se tenha mantido exatamente a mesma politica economica, pelas razoes que expus no texto. O maior de todos erros, porem, na minha opiniao, foi a manutencao forcada e consciente da moeda artificilamente valorizada apenas para garantir a reeeleicao. Os efeitos dessa manobra foram perversos e intensificaram as consequencias das crises que voce mencionou. Ja no periodo atual, o governo brasileiro soube responder rapida e eficazmente à crise, como se sabe. Com respeito a viagens e politica externa, penso que basta comparar os destinos visitados por um e outro e os efeitos dessas politicas para o comercio exterior, para se dar conta de que o atual governo inicia um novo paradigma na diplomacia e nas transacoes comerciais estrangeiras. Confesso que nao entendi sua citacao a uma abertura para o dialogo. Que quis dizer? E sobre a ironia com o Dirceu, muito bem sacado, mas nunca disse que é natural chamar esse ou aquele ministro para candidato. Abracao
ResponderExcluirSobre a abertura do diálogo, é algo que você cita como característica do PT por ser um aglutinador social, enxergo como o real ponto positivo do Partido. Sobre o Dirceu foi mesmo uma sacada, porque você disse (fim do penúltimo parágrafo) que a pessoa que ocupa a Casa Civil é a melhor opção para a continuidade, que poderá ser pregada de ambos os lados nessas eleições.
ResponderExcluirSobre os pontos rebatidos no comentário, novamente acho que falta contextualização, uma coisa é um país recém-estabilizado ainda com diversas fragilidades após anos de agruras econômicas enfrentar três crises de impacto mundial seguidas, outra bem diferente é gozar dos benefícios de uma economia mundial pujante por 6 anos ou mais e enfrentar uma crise mundial em que o nosso país estava em destaque pelo setor empresarial, financeiro e bancário em alta. Não é a comparação mais justa fora do real contexto.
Sobre a política econômica e experimentações, acertos e erros, mais do que natural, já que era o momento de arrumar a área econômica, entender o que funcionaria melhor para um país começando a se reerguer. A manutenção artificial do câmbio realmente foi um erro, mas o governo anterior não foi o único a adotar medidas com exageradas vistas eleitorais.
Quanto a medidas de estruturação, podemos ver as agências reguladoras, as privatizações que trouxeram de modo geral melhorias, início de mudanças na gestão do Estado. A política externa do atual governo foi ousada e tem méritos próprios, mas lembremos que o início da retomada de nossa relevância internacional começou no governo anterior, e podemos citar a criação da Apex-Brasil que promove exportações e investimentos, iniciativa da Ministra Dorothéa Werneck.
O positivo desenrolar do período em que ocorreu o atual governo se deve muito ao que foi iniciado e plantado no governo anterior, essa é uma verdade que aponto; isso não tira os méritos do atual governo, mas também não podem ser esquecidos ou descontextualizados os méritos e contribuições do governo anterior, que iniciou a construção das bases que hoje permitem a tal robustez.
Vale dar uma olhada neste texto da Soninha sobre o Serra.
ResponderExcluirO que me diz ISSA?
http://23pps.blogspot.com/2010/06/soninha-tem-como-explicar-o-apoio-ao.html
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